Os efeitos da incerteza e eleições políticas na economia brasileira

Política

Yandra França (LABEA/UFPA)

9/30/20262 min read

Yandra França (LABEA/UFPA)

Ano eleitoral no Brasil tradicionalmente amplia a atenção dos agentes econômicos sobre as decisões políticas. Em 2026, esse fenômeno ocorre em um cenário marcado por desafios econômicos internos, juros elevados e preocupação com a divida pública, intensificada por forte polarização política. Esse panorama aumenta a percepção de incerteza entre os agentes econômicos, investidores, empresas e consumidores começam a perceber os efeitos diretos desse panorama nas suas decisões econômicas.

Com as eleições na porta, Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, candidato do PL, protagonizam um empate técnico no segundo turno que já dura semanas. Segundo a pesquisa divulgada no dia 24 pela Datafolha Lula obtinha 47% das intenções de voto e Flávio 45%, na semana anterior Lula tinha 46% e Flávio 44%. Nesse panorama de incertezas o mercado financeiro começa a se organizar para dois cenários diferentes.

A cada discurso, nova pesquisa e propostas econômicas, a bolsa de valores brasileira e o mercado cambial reage de forma volátil. Bancos e gestoras vêm desenhando dois portifólios distintos para investidores, no Cenário Lula as carteiras priorizam ações de perfil defensivo, com balanços sólidos e empresas expostas a programas governamentais. No cenário Flavio a aposta é no mercado doméstico, com companhias onde a valorização depende fortemente da queda dos juros e retomada da atividade doméstica.

Enquanto isso, a economia brasileira enfrenta os efeitos defasados de uma politica monetária restritiva, o ambiente de juros elevados tem impacto direto sobre o consumo das famílias e sobre os investimentos produtivos. Um levantamento do IBEVAR-FIA identificou o cenário eleitoral mais incerto já registrado nas ultimas duas décadas, nessa pesquisa observou-se um padrão de repetição: quando a eleição chega em empate técnico, o consumidor trava a compra de maior valor. Ou seja, o consumo tende a ser adiado, dentro do varejo, para depois da definição do resultado, conforme o IBEVAR-FIA isso pode significar um freio de até R$ 62 bilhões no varejo.

Quando a opinião pública se mantem dividida, e os principais grupos políticos apresentam propostas distintas, aumentam a dificuldade de os agentes econômicos prever quais políticas serão adotadas após a eleição, indicando a preferencia por liquidez dos agentes. No entanto, as eleições não determinam automaticamente o desempenho econômico de um país, seu impacto econômico depende da combinação entre propostas apresentadas, a capacidade politica de implementação, condições internacionais e demais fatores. Estruturalmente, a base institucional do país tende a mitigar crises estruturais independente do resultado nas urnas.

As incertezas politicas e eleitorais possuem efeitos concretos sobre a economia brasileira, influenciando expectativas, decisões de investimentos, comportamento dos consumidores e mercados financeiros. Em um país marcado pela instabilidade econômica e disputas politicas intensas, em especial na última década, a previsibilidade institucional e a capacidade de formular politicas públicas consistentes tornam-se elementos fundamentais para fortalecer a confiança e promover crescimento econômico sustentável. No caso brasileiro, o desafio central para o próximo ciclo político será conciliar crescimento econômico, estabilidade fiscal e melhoria de condições socias, enquanto isso os agentes econômicos do país tentam se proteger e se preparar para o futuro depois do dia 4 de outubro.