Adriel Nunes (LABEA/UFPA)
Durante décadas, a indústria ocupou um papel central no processo de desenvolvimento brasileiro. No entanto, esse cenário mudou significativamente ao longo do tempo. A participação da indústria de transformação no PIB brasileiro vem apresentando uma tendência de queda. Embora tenha registrado uma leve alta, passando de 10,7% em 2023 para 10,8% em 2024, esse resultado permanece distante dos 13,6% observados na década anterior.
Esse movimento está relacionado ao processo de desindustrialização precoce pelo qual o país vem passando. Diferentemente do que ocorreu em economias que alcançaram níveis mais elevados de desenvolvimento antes de vivenciarem uma redução da participação da indústria em suas economias, o Brasil passou a perder espaço industrial sem consolidar plenamente uma estrutura produtiva baseada em setores de maior complexidade tecnológica. Esse processo pode limitar a capacidade de o país avançar para atividades de maior valor agregado e, consequentemente, para níveis mais elevados de desenvolvimento econômico.
É nesse contexto que surge a Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial voltada à retomada e ao fortalecimento das capacidades produtivas e tecnológicas do país. A proposta parte da necessidade de uma política industrial articulada e alinhada aos desafios concretos da sociedade brasileira, buscando promover a inovação, a sustentabilidade e o aumento da produtividade.
Para alcançar esses objetivos, a NIB está estruturada em seis missões, que abrangem diferentes áreas estratégicas e instrumentos de atuação do Estado. Entre elas, destacam-se: a construção de cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais; o fortalecimento do complexo industrial da saúde; o desenvolvimento de infraestrutura e mobilidade sustentáveis; a transformação digital da indústria; a promoção da bioeconomia e da descarbonização; e o desenvolvimento de tecnologias voltadas à soberania e à defesa nacional.
Um dos elementos centrais da NIB é a tentativa de combinar diferentes instrumentos para transformar essas missões em ações concretas. O Plano Mais Produção, por exemplo, concentra recursos destinados ao financiamento de projetos industriais, reunindo instrumentos do BNDES, da Finep, entre outros. Onde são previstos recursos reembolsáveis, não reembolsáveis e investimentos em participação, buscando ampliar as possibilidades de financiamento para empresas e projetos de inovação.
Outra iniciativa relevante é o Brasil Mais Produtivo, voltado principalmente às micro, pequenas e médias empresas. O programa contempla ações direcionadas à melhoria da gestão, à otimização dos processos produtivos, ao aumento da eficiência energética e à transformação digital. Dessa forma, a política busca não apenas ampliar o volume de investimentos, mas também enfrentar um dos principais desafios identificados no diagnóstico da indústria brasileira: os baixos níveis de produtividade.
A Nova Indústria Brasil, portanto, representa uma tentativa de recolocar a política industrial no centro da estratégia de desenvolvimento econômico brasileiro. Mais do que recuperar a participação da indústria no PIB, o desafio consiste em promover uma transformação estrutural capaz de construir uma economia mais produtiva, inovadora e tecnologicamente avançada, preparada para responder às mudanças e aos desafios da economia contemporânea. Nesse sentido, o êxito da estratégia dependerá da capacidade de transformar planejamento, financiamento e coordenação entre os diferentes atores em investimentos, inovação e mudanças efetivas na estrutura produtiva brasileira.
