Histórico intervencionista dos EUA na América do Sul, um questionamento sobre a soberania de um continente.
Geopolítica
Gilson Salgado (LABEA/UFPA)
10/14/20264 min read
Nesse blog iremos explorar o cenário e histórico de intervenções dos EUA em países da América do sul, intervenções essas tanto econômicas e militares visando interesses econômicos nacionalistas.
Dentro desse contexto vale citar a Doutrina Monroe, uma doutrina que se tornou a base para as futuras decisões de políticas externas dos governos norte-americanos doutrina essa que já precedia uma visão econômica dos EUA sobre a América Latina, a qual tinha como objetivo a não estabelecimento de novas colônias europeias nas américas
Um marco inicial foi no início do século XX com a doutrina do “Big Stick” um modelo de política externa adotada por Theodore Rossevelt em 1901 o qual buscava ampliar os direitos de intervenção dos EUA sob outros países afim de garantir seus interesses nacionalistas, usando de diplomacia e uso militar quando fosse conveniente, vale citar que esse estilo de negociação foi direcionado especialmente aos países latino-americanos, esses que já estariam fragilizados economicamente por conta de ações Europeias. O resultado dessa doutrina foi consolidado na separação do Panamá com a Colômbia.
O primeiro registro histórico relevante de intervenção dos EUA na política interna de outros países da América do sul foi a separação do Panamá com a Colômbia, o interesse dos EUA se concentrava na construção de um canal interoceânico para fomentar o comércio global, porém a construção foi barrada pelo congresso Colombiano por ser considerado um atentado à sua soberania, após isso os EUA se aliaram aos separatistas panamenhos e no dia 3 de novembro de 1903, com a ajuda de 8 navios norte-americanos declararam a independência.
Outro ponto de influência direta foi a instalação da escola das américas no Panamá em 1946, o qual tinha o ideal de formar militares nos países latino-americanos instaurando um modelo de formação militar. A escola teve uma expansão recebendo militares de vários países da região. A escola promovia técnicas de tortura e treinava seus alunos para combates internos e contra os “insurgentes”, esses que seriam a oposição, ou a esquerda, deixando um legado ideológico pelos países da América do sul, como o anticomunismo, que foi fundamental para a instalação de uma ditadura no Brasil em 1964 tendo 21 soldados torturadores treinados nessa escola.
Ainda sobre 1964, uma atuação de intervenção ocorreu no Brasil na instauração da ditadura militar, a operação “brother-sam”, essa operação envolvia o envio de uma frota com um navio de transporte de helicópteros, navios-petroleiros com combustível e porta aviões USS Forrestal, além de munições e gás lacrimogêneos para conter uma possível guerra civil no caso de uma resistência, essa ajuda foi motivada visando o não alinhamento do Brasil com o bloco Soviético, tendo em vista o período da guerra fria, além de ganhar um aliado militar e econômico.
Avançando para 1970, no Chile, uma operação comandada pela CIA na gestão de Richard Nixon, o objetivo foi impedir a posse presidencial de Salvador Allende, a estratégia foi forçar um clima de instabilidade econômica e política, a fim de forçar um cenário para uma intervenção militar. Por fim, em 11 de setembro de 1973 foi realizado um golpe de estado que tirou Allende do poder, com bombardeio na sede do governo, o qual foi morto durante o ataque por se recusar a renunciar ou ao exílio. O resultado disso foi uma ditadura de 17 anos marcado por violações de direitos.
Durante o período da ditadura militar brasileira os EUA realizaram e incentivaram com apoio da inteligência, treinamento e suporte logístico a operação Condor, que na verdade seria uma aliança de ditaduras na América do Sul, incluindo Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai, o qual tinha com o objetivo realizar de forma clandestina o enfrentamento da oposição, sequestrando, assassinando, torturando e fazendo desaparecer militantes políticos.
A partir da análise de todo esse histórico, vale citar que as motivações dos EUA sempre advém de interesse econômico ou a busca por manter sua hegemonia, como foi estabelecido na doutrina Monroe, esse pensamento permanece até hoje, com o presidente Donald Trump mais do que nunca, pois, apesar dos empasses econômicos motivados pela guerra comercial com a China, ainda observa-se um movimento de apoio a Ucrânia para evitar o fortalecimento da Rússia, e a oposição ao Irã no Oriente médio, e mais especificamente podemos analisar a captura e retirada de Nicolás Maduro da Venezuela, no início deste ano, que após sanções e divergências, os EUA entraram com peso militar e realizam uma intervenção direta na Venezuela, então assume a vice Delcy Rodriguez, que estabelece canais de cooperação com Washington. E no meio de 2026 o governo norte-americano estabelece o American Shield, com países aliados na América do Sul a fim de “combater o narcotráfico”.
Algo mais recente ocorreu nas eleições presidenciais de 2026, no qual a empresa META admitiu falhas na aplicação de regras referente a distribuição de conteúdo eleitoral, a empresa destacou de que forma essas falhas acontecem e destacou as restrições de impulsionamento nas contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, a empresa também informou que os conteúdos dos 2 candidatos eram tratados de forma igual
Agora com as eleições definidas, o governo Lula, o presidente dos EUA, Trump fez uma fala que diz que a eleição brasileira pareceu fraudada, no entanto, na mesma fala diz gostar do presidente Lula e já negocia com o presidente no mandato, o presidente Trump enxergava a eleição de Flávio Bolsonaro como um ativo político que ajudaria a ampliar sua presença na América do Sul.
Referências:
https://www.todamateria.com.br/politica-do-big-stick/
https://www.todamateria.com.br/doutrina-monroe/
https://nsarchive.gwu.edu/briefing-book/chile/2020-10-22/cia-chile-anatomy-assassination
Laboratório de Economia Aplicada - LABEA UFPA
Navegação
Início
Quem Somos
Relatórios
Contato Institucional
labeaufpa10@gmail.com
Campus Universitário do Guamá, Belém - PA
Universidade Federal do Pará
© 2026 Laboratório de Economia Aplicada - LABEA UFPA
UFPA · UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
